18 janeiro, 2006

Apresento-vos a Laurentina!

Não comecem já com os comentários do tipo: - "mas que nome estranho, comprido... feio". Tudo tem uma explicação! Como gata moçambicana, selvagem e nascida em Maputo, só podia ter este nome fantástico... Laurentina(o) não só significa pessoa proveniente de Lourenço Marques, como também é o nome da cerveja orgulhosamente moçambicana. Esta moçoila, com o seu ar traquina, andava a vaguear nas ruas da cidade, mais precisamente na esplanada da pastelaria "Pérola de Maputo", a vender-se a todos por umas migalhas... Não resisti e trouxe-a para casa. Agora já tem um lar e uma grande família... porque todos morrem de amores pelos seus frescos ares!!! E "por supesto", o orgulho da "mamã"... a minha companhia fiel, de todos os meus dias, nesta aventura chamada África! Posted by Picasa

Martinho da VIla

O desespero é tanto que quando a fome aperta até com as mãos se come!!! Acabadinha de chegar do meu lugar favorito em Moçambique, a Ilha, fui ver um concerto memorável de Martinho da Vila, no estádio da Machava, nos Maputo, em plena capital de Moçambique. Sim memorável, porque aqui são raríssimas as excepções de um acontecimento que move multidões para ver um artista não Moçambicano. Foi lindo! Chegamos cheiinhas de fome mas tivemos que ir muito cedo, sob a ameaça de fecharem as portas do estádio. Uma vez lá dentro, rezamos por umas bifanas e umas águas bem fresquinhas... em vez disso tínhamos pratadas de frango assado com chima (puré de farinha de mandioca, delicioso!) e salada e umas cervejolas quase a escaldar. Pratadas e não garfadas... talheres nem vê-los! Comemos à mão, pois claro! O concerto foi animado, o Martinho está em grande forma e recomenda-se e nós, para não variar, passamos o tempo todo nas palhaçadas! Memorável!!! P.S. Fiwipa, endireita as costas!!! Posted by Picasa

17 janeiro, 2006

O milagre

Esta tenho de vos contar… Foi há quase 3 meses atrás e sei que me vai marcar até ao resto dos meus dias…
Numa manhã quente de Novembro, logo pela manhã, embarquei numa verdadeira aventura, daquelas que se sonha uma vida inteira e se vai rezando conseguir realizá-la! Estava em Pemba, a trabalho, e tive a oportunidade de acompanhar os meus colegas da Fundação numa visita de campo. A viagem durou 3 horas. Os cenários inesquecíveis!
Depois, a alegria das pessoas na inauguração de um poço de água, o aprumo da recepção, a motivação e a vontade, o sentido de dever cumprido… e as crianças, sempre as crianças!!! Saber que participo, mesmo que indirectamente (porque escolhi os números!), numa organização que se dedica a ajudar, a incentivar, a melhorar… a dar a possibilidade de escolha na vida de tanta gente que precisa não ser esquecida!!! Sinto-me feliz e realizada. Sinto que finalmente faço alguma coisa pela humanidade! Durante a inauguração, contaram-se histórias. Todos tiveram direito a falar. As mulheres agradeciam o poço porque já não iriam correr o risco de ser atacadas por hienas ou crocodilos a caminho do rio. Os homens agradeciam poder usufruir mais da companhia das suas mulheres. E as crianças sorriam porque tinham água, ali mesmo ao pé, para matar a sede! Depois um merecido almoço. De tarde fomos visitar os postos de saúde das várias aldeias. Num desses postos tinha nascido, durante a madrugada, um bebé com apenas 1kg de peso. Obviamente esta criança estava em risco e a sua mãe também. Tínhamos de fazer alguma coisa. Pusemos um colchão na parte de trás da carrinha e, mãe e filha, foram a caminho do hospital da cidade. Durante a viagem paramos algumas vezes para molhar os lábios do bebé com água açucarada e foi espantoso ver uma coisinha tão pequenina lutar pela própria vida! Foi um milagre termos feito a visita nesse preciso dia. Uma criança lutou durante horas, sem se alimentar mas resistiu! Hoje chamam-lhe minha afilhada para não me esquecer dela… mas acho que esquecer-me deste episódio vai ser difícil!

Saudade...

Uma distância longínqua num olhar aventurado;
Vivendo momentos tristes e alegres do passado; Numa esperança constante sob um sol apaixonado;
Vagueio minha alma perdida no mundo amargurado; Sorrindo às águas profundas de um oceano imenso;
Soltando memórias ao vento sob um calor intenso;
Lutando apaixonada onde leva o pensamento;
Derramo lágrimas saudosas pelo sentimento; Sentindo momentos perdidos de mistério e verdade;
Mergulho neste sonho profundo, destemida e com saudade.

07 janeiro, 2006

Descubram qual é o meu lugar preferido em Moçambique!!!

Regresso a Maputo

Depois de uma viagem bastante irritante de 10 horas dentro de um avião, eis que aterro no Aeroporto Internacional de Maputo, que de internacional não tem praticamente nada. Na minha primeira chegada a este lindo país tive a mesma impressão que a segunda, a terceira... e provavlemente terei sempre que aqui chegar: a polícia alfandegária não tem o mínimo de escrúpulos e nenhuma noção de hospitalidade e simpatia. Desta vez resolveram implicar com a minha gata e foi preciso a intervenção de um amigo advogado para sanar o acontecido! Depois o calor, já não me lembrava deste ar quente e grudento... que bom! Cheguei a casa, finalmente. E tinha um presente na cozinha: um saco cheio de molho preto e muitas larvas à mistura... bãh!!! Limpei, limpei, limpei... Quando terminei e quis tomar um merecido banho, não havia água porque estavam a arranjar uma conduta... fantástico. O que mais iria acontecer neste meu regresso? Fui ao frigorífico buscar um sumo bem fresquinho e pimba... uma cabeçada na porta. O galo cantou nessa noite! Como se não bastasse, o ar condicionado do avião e a diferença de temperatura trouxe-me uma gripe valente que me pôs de cama 2 dias. Isto promete!!!