21 julho, 2008

Adeus, Moçambique... até qualquer dia!!! (parte2)

Em África, mesmo nos momentos menos felizes há dança e muitos sorrisos!!!
Claro está que, na minha festa de despedida, não poderiam faltar os amigos, muita música e muita paródia até altas horas da madrugada! E em jeito de homenagem aos bons velhos tempos, aquele sábado foi memorável!
Obrigada a todos os que partilharam aqueles momentos comigo.

Começamos com um jantar num dos meus restaurantes preferidos de Maputo, o Jacarandá, em que eu quase dormi pois na noite anterior tinha estado na festa da lua cheia no Tofo até à hora do regresso a Maputo!

Depois seguiu-se o Gil Vicente e aí sim foi voltar aos velhos tempos dos 9 meses de Contacto@ICEP com noitadas e bons momentos partilhados com a minha querida amiga Rita e os Xitsope. Boa música, boa conversa e toca a mudar para um sítio onde se tem isso e muito mais. Six level! E acho que aqui nem vale a pena gastar palavras porque as imagens dizem tudo. Foi uma festa para nunca mais esquecer!!! Adoro-vos e morro de saudades vossas todos os dias!!!

21 junho, 2008

Adeus, Moçambique... até qualquer dia!!! (parte1)

Tomei a decisão de vir embora num acto de espontaneidade como tantos outros que têm caracterizado os últimos anos da minha vida. Sabia que estava na altura de deixar África. Esta decisão foi tomada no topo do Kilimanjaro e sei que, no momento, um turbilhão de coisas passaram pela minha cabeça: uma mistura de ansiedade, de alegria, de tristeza... Moçambique foi um país que me acolheu tão bem. Fiquei hipnotizada e apaixonada também. Construí uma vida sozinha mas não solitária. Quebrei tabus e fiz crescer novas crenças. Mas também foi onde percebi que não ter com quem partilhar isto tudo pode ser demasiado para nós. Esta terra entanha-se em nós. Esta terra cansa os que não são de cá mas também nunca mais os larga! Sei que vou na altura certa. Se não o fizer agora talvez nunca mais saia daqui e eu gosto de correr mundo. Sei que a raíz fica bem presa às entranhas de África e que delas jamais me vou libertar! Até breve!

25 abril, 2008

Xima, a minha gatinha africana

Por mais que eu tente racionalizar, por mais que tente encontrar paz no meu coração, mais raiva e revolta preenchem o meu espírito. Tenho saudades dela! A Xima era a alma da casa. A alegria que faltava para a preencher por completo. No seu escasso ano de vida conseguiu conquistar-me com as suas travessuras e a sua meiguice. Parecia a minha sombra. Não me largava um segundo, para onde eu ia, ela ia! Agora quando entro em casa, está tudo vazio e triste. Em cada canto vejo o seu corpinho frágil, branco e malhado, com o seu ar matreiro. Cada minuto que passa recordo mais uma brincadeira, uma corrida, um miar.

Hoje de manhã acordei e ela não estava lá, a morder-me os dedos dos pés, a lamber-me o nariz e a suplicar por comida. Hoje de manhã, a Isabel chegou e ninguém tropeçou nos meus pés para chegar primeiro à porta. Hoje de manhã, a Laurentina não teve com quem brincar e procurou por todos os cantos pela sua melhor amiga, sem sucesso. Faltava tão pouco para a levar comigo para Portugal e começar uma nova vida. Faltava tão pouco para poder levar o meu "lemur" de olhos estrábicos e de uma doçura extrema para um país onde os cuidados veterinários são mais avançados. Voltei a ser só eu e a Laurentina a enfrentar o mundo e eu continuo a perguntar-me: Porque razão a vida tem de ser tão cruel? Xima, minha doce gatinha africana, vais ficar para sempre no meu coração!